Nos últimos meses, o setor de construção e reformas enfrentou forte pressão inflacionária nos custos de materiais, impulsionada em parte pela guerra no Irã, que elevou preços de combustíveis, fretes e insumos importados. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), as cimenteiras aumentaram os preços em 12% no fim de março, com mais 10% anunciados na sequência, enquanto o aço teve alta de 8% e resinas e polímeros chegaram a dobrar de preço no início de abril, elevando o custo de tubos, conexões e outras peças plásticas.
Nesse cenário, a locação de equipamentos surge como alternativa para conter parte do impacto desses custos, evitando que profissionais e empresas precisem desembolsar capital na aquisição de máquinas justamente em um momento de preços elevados.
Além da pressão de custos, o setor de construção e reformas segue como um dos pilares da economia brasileira em 2026. De acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a construção civil brasileira ocupou 2,5 milhões de trabalhadores e movimentou R$ 522,5 bilhões em valor total de obra, distribuídos entre 191 mil empresas ativas no país.
Apesar da dimensão, o mercado de construção e reformas é pouco concentrado: as oito maiores empresas do setor respondem por apenas 3,1% do faturamento total, segundo o indicador RC8 calculado pelo IBGE. Esse cenário abre espaço para negócios de diferentes portes, incluindo empresas especializadas em locação de equipamentos, que atendem desde grandes construtoras até pequenos prestadores de serviço.
Faturamento do setor de construção e reformas
A distribuição do valor de obra por segmento ajuda a entender onde o dinheiro circula dentro da construção e reformas. A construção de edifícios responde por 35,7% do emprego do setor e R$ 198,9 bilhões em valor de obra. Os serviços especializados, categoria que reúne boa parte das reformas de menor escala, concentram 34,4% do emprego. Já as obras de infraestrutura, embora representem 29,9% do emprego, respondem por R$ 200,9 bilhões, o maior valor entre os três grupos, e têm a maior média de funcionários por empresa, com 39 pessoas em cada empreendimento em média.
Esses números indicam um setor diversificado, no qual grandes obras convivem com reformas residenciais e comerciais de menor porte, ambas dependentes de mão de obra qualificada e de acesso a equipamentos adequados para cada etapa do trabalho. Essa diversidade também explica por que a demanda por locação de máquinas varia tanto ao longo do ano, acompanhando o ritmo de diferentes tipos de empreendimento.
Na estrutura de custos das empresas do setor, a mão de obra é o item de maior peso, representando 30,7% do total. Em seguida vem o chamado consumo intermediário, que inclui combustíveis, manutenção, aluguéis de máquinas e serviços de terceiros, com 22,5% do orçamento, seguido pelos materiais de construção, com 22,3%. Esse peso relevante de itens ligados a insumos e equipamentos ajuda a explicar por que oscilações de preço, como as observadas recentemente, afetam diretamente o planejamento financeiro de uma obra.
Locação de equipamentos reduz custos da obra
Para quem atua com construção e reformas, o custo de aquisição de máquinas e ferramentas pesadas costuma ser um dos principais obstáculos financeiros, ainda mais em um cenário de preços de insumos pressionados. É nesse ponto que a locação de equipamentos ganha espaço. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), o mercado de equipamentos para construção apresenta crescimento contínuo, impulsionado principalmente por obras de menor porte e pelo aumento das reformas residenciais.
Esse cenário favorece diretamente o setor de locação, já que a demanda por equipamentos tende a ser pontual e variável, o que torna a compra menos viável em muitos casos. Empresas e profissionais autônomos que trabalham com construção e reformas passam a contar com maquinário moderno sem arcar com os custos de aquisição, manutenção e armazenamento, o que reduz o investimento inicial necessário para executar uma obra ou uma reforma. Em vez de imobilizar capital em uma escavadeira, uma betoneira ou um compactador que ficará parado boa parte do tempo, o contratante paga apenas pelo período em que realmente utiliza o equipamento. Em equipamentos como a betoneira, o aluguel pode representar uma economia de até 21% em média em relação ao custo de aquisição do equipamento próprio.
O Brasil ainda apresenta potencial de expansão nesse segmento. Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, a locação representa uma parcela significativamente maior do uso de equipamentos, o que sinaliza espaço de crescimento para o país. A digitalização do setor, com ferramentas online e sistemas de gestão, também tem tornado o processo de locação mais ágil e transparente para quem contrata, do pequeno reformista ao gestor de grandes canteiros, simplificando desde a cotação até a devolução do equipamento ao final da obra.
Setor de construção e reformas gera mais empregos
Além do impacto financeiro, o setor de construção e reformas também se destaca na geração de empregos formais. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes a maio de 2026, a construção civil registrou saldo positivo de 12.000 vagas no mês, alta de 0,4%, com 211.500 admissões e 199.000 desligamentos. No acumulado do ano, o setor já soma 154.000 novos postos de trabalho, resultado de 1,12 milhão de admissões contra 967.000 desligamentos.
Esse desempenho coloca a construção civil como o segundo setor que mais gera empregos formais no país em 2026, atrás apenas do setor de serviços, que registrou 493 mil vagas no acumulado do ano. A construção superou a indústria, com 128 mil vagas, a agropecuária, com 16 mil, e o comércio, que teve saldo negativo de 26 mil postos.
Apesar do avanço, o setor enfrenta um desafio estrutural relevante. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mais de 80% das construtoras brasileiras relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados, especialmente para funções operacionais como pedreiros, carpinteiros e mestres de obras. O problema tem raízes estruturais, como o envelhecimento da mão de obra e a migração de trabalhadores para outras atividades, como logística e aplicativos. Nesse contexto, o acesso facilitado a equipamentos modernos por meio da locação pode ajudar a compensar parte dessa pressão sobre a produtividade, permitindo que a mão de obra disponível execute tarefas com mais eficiência e em menos tempo.
Espírito Santo desponta entre as oportunidades regionais
Entre os estados que mostram forte dinamismo no setor de construção e reformas, o Espírito Santo se destaca. Entre 2020 e 2025, o volume de financiamentos imobiliários no estado mais que dobrou, consolidando o crédito imobiliário como um dos pilares da economia capixaba. Os lançamentos imobiliários se estabilizaram em torno de 8 mil unidades por ano, com forte capacidade de absorção pelo mercado, e a região da Grande Vitória concentra entre 75% e 80% de todos os lançamentos do estado.
A participação da construção civil no PIB capixaba também avançou no período, passando de 5,43% em 2020 para 5,62% em 2021 e atingindo 5,88% em 2022, o patamar mais recente com dado oficial consolidado. O valor médio do metro quadrado no estado subiu mais de 60% nesse intervalo, superando a inflação acumulada e gerando ganho real para quem investiu no setor. Esse conjunto de indicadores sugere um mercado imobiliário em transição para um patamar de maior maturidade, com crescimento mais equilibrado do que nos ciclos anteriores.
Esse tipo de movimento regional reforça um padrão observado em outras partes do país: estados com crescimento consistente em construção e reformas tendem a demandar mais equipamentos para obras, o que amplia as oportunidades para empresas de locação atuarem próximas a esses polos de expansão.
Crédito imobiliário sustenta a expansão do setor
O crédito imobiliário segue como um dos principais motores por trás da expansão da construção e reformas no Brasil. Em maio de 2026, o crédito imobiliário somou R$ 17,17 bilhões, o segundo melhor desempenho para o mês, segundo dados da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário (Abecip).
Em nível nacional, o crédito habitacional representa aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB), com perspectiva de avanço para 11% até o final de 2026, conforme projeção do Ministério das Cidades. Esse volume de recursos disponíveis tende a estimular tanto novos lançamentos quanto reformas em imóveis já existentes, fortalecendo toda a cadeia produtiva ligada à construção e reformas, da qual fazem parte fornecedores de materiais, prestadores de serviço e empresas de locação de equipamentos.
A expansão do crédito também influencia diretamente a demanda por locação. Obras financiadas costumam ter prazos e orçamentos mais definidos, o que favorece contratos de aluguel de equipamentos por período determinado, uma alternativa que reduz a necessidade de imobilizar capital em máquinas de uso pontual ao longo de uma obra ou reforma. Para incorporadoras e construtoras, essa previsibilidade facilita o planejamento logístico, já que o equipamento pode ser reservado com antecedência para cada etapa do cronograma.
Investimento público impulsiona obras de infraestrutura
O poder público também tem papel relevante na dinâmica da construção e reformas no Brasil. Cerca de 33% do valor gerado pelo setor em 2024 teve origem na administração pública, segundo dados do IBGE divulgados pela Agência Brasil. Esse percentual chega a 48,2% quando o recorte é feito apenas para obras de infraestrutura, atividade em que o setor público concentra a maior parte da demanda.
Na construção de edifícios, a participação de governos como contratante cai para 22,9%, e nos serviços especializados para construção, para 19,5%. Isso mostra que, embora o investimento público seja decisivo em grandes obras de infraestrutura, o mercado de construção e reformas residenciais e comerciais depende majoritariamente da iniciativa privada, o que inclui desde incorporadoras até pequenos prestadores de serviço que recorrem à locação de equipamentos para executar seus projetos. Esse equilíbrio entre investimento público e privado ajuda a explicar por que o setor mantém ritmo de crescimento mesmo em anos de juros elevados e pressão de custos.
Cenário de crescimento no primeiro semestre de 2026
Os indicadores de emprego, crédito e investimento público mostram um cenário de crescimento sustentado para a construção e reformas no Brasil em 2026, mesmo diante da pressão inflacionária provocada por fatores externos como a guerra no Irã. A combinação entre geração de empregos formais e maior acesso a crédito imobiliário cria um ambiente favorável tanto para grandes obras de infraestrutura quanto para reformas residenciais de menor escala.
Assim, a locação de equipamentos se consolida como uma alternativa prática para reduzir custos operacionais, especialmente diante do desafio de mão de obra qualificada e da alta nos preços de materiais enfrentada pelo setor.
Estados como o Espírito Santo mostram que o crescimento da construção e reformas pode acontecer de forma equilibrada, combinando expansão de crédito, valorização imobiliária e geração de renda. Acompanhar esses indicadores ajuda profissionais e empresas a planejar investimentos com mais segurança, seja na aquisição de imóveis, seja na escolha entre comprar ou alugar os equipamentos necessários para cada etapa de uma obra.